O Papanicolau está passando por uma das maiores mudanças da sua história. Aqui você entende quando fazer, como ler o laudo e o que o novo teste de HPV muda na sua rotina.
Publicado em: 28 de outubro de 2026 · Atualizado em: 28 de outubro de 2026 · Leitura: 8 minutos
O essencial em 30 segundos
- O Papanicolau procura alterações nas células do colo do útero, a “porta de entrada” do útero, antes de elas virarem câncer.
- Quase todo câncer do colo do útero é causado pelo HPV (papilomavírus humano, um vírus muito comum, transmitido por contato íntimo), segundo a Organização Mundial da Saúde.
- No Brasil, as diretrizes de 2025 passaram a indicar o teste de DNA-HPV como exame principal do rastreamento no SUS, e a citologia (o Papanicolau clássico) entra como apoio.
- Um resultado “alterado” quase nunca significa câncer: na maioria das vezes é uma mudança inicial que se acompanha ou trata com segurança.
- Sangramento fora do período menstrual ou depois da relação não espera o próximo exame de rotina.
A resposta direta
O Papanicolau deve ser feito a partir dos 25 anos, mesmo sem sintomas e mesmo que você esteja bem. Nas diretrizes brasileiras atuais, quando o teste de DNA-HPV é usado e vem negativo, o intervalo até o próximo é de cinco anos; com a citologia isolada, o intervalo tradicional é menor. Para ler o resultado, o ponto central é este: o laudo descreve células, não dá diagnóstico de câncer, e cada tipo de alteração tem uma conduta já bem definida.
Neste artigo
- O que é o Papanicolau e o que mudou com o teste de HPV
- Quando fazer
- Como se preparar e o que esperar
- Como entender o resultado
- Condutas conforme o resultado
- Quando procurar ajuda agora
- Prognóstico e vida real
- Perguntas para levar à consulta
- Perguntas frequentes
O que é o Papanicolau e o que mudou com o teste de HPV
O Papanicolau, também chamado de exame preventivo ou citologia (análise das células ao microscópio), coleta uma amostra do colo do útero com uma pequena escovinha. O laboratório observa se as células estão normais ou se mostram mudanças que, com os anos, poderiam evoluir para câncer. A ideia é achar o problema muito antes de ele aparecer.
O tamanho do que está em jogo é grande. A OMS estima cerca de 660 mil novos casos de câncer do colo do útero e cerca de 350 mil mortes por ano no mundo, e lembra que é um dos cânceres mais evitáveis que existem, justamente porque o rastreamento e a vacina funcionam. No Brasil, o INCA estima por volta de 17 mil novos casos por ano.
A novidade é o teste de DNA-HPV: em vez de olhar só como as células parecem, ele procura diretamente o material genético dos tipos de HPV que mais causam câncer. Como a infecção aparece antes da alteração nas células, o teste identifica o risco mais cedo e permite intervalos maiores entre os exames quando o resultado é negativo. As diretrizes brasileiras de 2025 adotaram esse modelo como principal no SUS, de forma gradual. Nos Estados Unidos, o ACOG atualizou em abril de 2026 sua orientação na mesma direção, incluindo a possibilidade de a própria paciente coletar a amostra do teste de HPV em situações específicas.
Quando fazer
- A partir dos 25 anos, para quem já teve vida sexual, é o ponto de partida das diretrizes brasileiras.
- Até os 64 anos, mantendo a periodicidade que sua médica indicar.
- Mesmo vacinada contra o HPV: a vacina protege contra os tipos mais perigosos, mas não contra todos, então o rastreamento continua.
- Mesmo na menopausa, sem parceiro ou sem sintomas: a regra depende da idade e do histórico, não de como você se sente.
- Mulheres com imunidade baixa (como quem vive com HIV ou usa imunossupressores) costumam ter intervalos menores e acompanhamento individual.
Como se preparar e o que esperar
O exame é rápido, em geral dura poucos minutos, e pode causar um leve desconforto, mas não deve doer de forma forte. Para o resultado sair confiável, vale seguir alguns cuidados nas 48 horas antes:
- Evitar relação sexual, óvulos, cremes e duchas vaginais.
- Não fazer o exame menstruada: espere o sangramento terminar.
- Avisar a médica sobre uso de DIU, medicações, gravidez ou suspeita de gravidez.
Um pequeno sangramento depois da coleta é comum e costuma parar sozinho.
Como entender o resultado
O laudo costuma ter palavras que assustam à primeira vista. Aqui vai uma tradução dos termos mais comuns:
Resultado considerado tranquilo
- Negativo para lesão intraepitelial ou malignidade: as células estão normais. Pode haver menção a inflamação ou a “alterações reativas”, que são respostas comuns a irritação, infecções simples ou ao uso de DIU, e não indicam câncer.
- Teste de DNA-HPV negativo: não há vírus de alto risco detectado, e o próximo exame fica para daqui a alguns anos, conforme a orientação.
Resultado que pede acompanhamento
- ASC-US: células “atípicas de significado indeterminado”, ou seja, com aparência levemente diferente e causa incerta. É a alteração mais comum e, muitas vezes, está ligada a uma infecção que o próprio corpo resolve.
- LSIL (lesão de baixo grau): mudança leve, geralmente causada pelo HPV, que com frequência regride sozinha.
- HPV positivo: o vírus foi encontrado. Isso é muito comum e não significa câncer; significa que o colo do útero merece vigilância mais próxima.
Resultado que pede investigação mais rápida
- HSIL (lesão de alto grau): mudança mais importante nas células. Ainda não é câncer, mas precisa de avaliação com colposcopia (exame em que a médica observa o colo do útero com uma lente de aumento) e, se necessário, biópsia.
- HPV 16 ou 18: são os dois tipos de maior risco, e as diretrizes brasileiras encaminham direto para a colposcopia.
Condutas conforme o resultado
A tabela mostra o caminho mais comum em cada situação. A decisão final sempre considera sua idade, seu histórico e seus exames anteriores.
| Resultado | O que significa | Conduta mais comum | O que considerar |
|---|---|---|---|
| Normal / HPV negativo | Sem alteração nem vírus de alto risco | Repetir no intervalo indicado (em geral, anos depois) | Manter a consulta ginecológica anual mesmo assim |
| Inflamação ou alteração reativa | Irritação ou infecção simples | Tratar a causa, se houver, e seguir a rotina | Não indica câncer |
| HPV positivo (outros tipos de alto risco) | Vírus presente, células ainda sem alteração marcante | Citologia na mesma amostra e repetição do teste em cerca de um ano, conforme o resultado | Vigilância, não tratamento imediato |
| ASC-US ou LSIL | Alteração leve ou duvidosa | Repetir o exame ou testar HPV, conforme idade e protocolo | Muitas regridem sem tratamento |
| HSIL ou HPV 16/18 | Alteração de maior risco | Colposcopia, com biópsia se necessário | Tratar uma lesão precoce evita que ela evolua |

- Sangramento vaginal fora do período menstrual, depois da relação ou depois da menopausa.
- Corrimento com odor forte ou diferente do habitual que não melhora.
- Dor pélvica persistente ou dor durante a relação sexual.
Prognóstico e vida real
Receber um resultado alterado gera medo, e isso é compreensível. O que ajuda é saber que o rastreamento existe justamente para achar a mudança numa fase em que ela é tratável com procedimentos simples, muitas vezes feitos no próprio consultório. A maioria das infecções por HPV é eliminada pelo organismo ao longo do tempo, e as lesões de baixo grau frequentemente regridem. O risco maior está em ficar anos sem fazer o exame. Se você é parceira de alguém que teve HPV, ou se o seu parceiro ou parceira também precisa de cuidado, converse com a médica: o HPV é uma infecção comum entre casais, não é sinal de infidelidade e não tem culpa associada.
Perguntas para levar à consulta
- Meu exame deve ser a citologia, o teste de HPV ou os dois?
- De quanto em quanto tempo devo repetir, considerando meu histórico?
- Qual termo do meu laudo preciso entender melhor?
- Preciso de colposcopia ou posso apenas acompanhar?
- Minha vacinação contra o HPV está completa?
Perguntas frequentes
Papanicolau alterado é câncer?
Quase nunca. Ele indica mudanças nas células que precisam de acompanhamento ou investigação, e a imensa maioria dessas mudanças pode ser tratada antes de virar câncer.
Quem nunca teve relação sexual precisa fazer?
As diretrizes são para quem já iniciou a vida sexual, porque o HPV é adquirido por contato íntimo. A situação de cada mulher é avaliada individualmente.
Preciso fazer todo ano?
Nem sempre. O intervalo depende do tipo de teste, da idade e do histórico. A consulta ginecológica anual continua valendo, mas o exame de rastreamento segue o intervalo indicado.
Estou grávida. Posso fazer?
Sim. A coleta é segura na gestação, com técnica adaptada, e a médica orienta o melhor momento.
Vacina contra HPV dispensa o exame?
Não. A vacina reduz muito o risco, mas não cobre todos os tipos de HPV, então o rastreamento continua necessário.
Na menopausa ainda preciso?
Sim, até a idade limite das diretrizes e conforme seus exames anteriores. A médica define quando é seguro parar.
O teste de HPV feito pela própria paciente existe?
Em alguns países e programas, sim, como opção para quem tem dificuldade de acesso à coleta. No Brasil, a disponibilidade ainda depende do serviço e da orientação médica.
Referências
- INCA. Aprovadas as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero (2025).
- INCA. Diretrizes Brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, volume 1: teste molecular DNA-HPV oncogênico.
- Organização Mundial da Saúde. Cervical cancer (fact sheet).
- Healio. ACOG updates cervical cancer screening guidance to include self-collection option (abril de 2026).
- Febrasgo. Conteúdos sobre rastreamento e prevenção do câncer do colo do útero.
Cuidar da prevenção é simples quando você tem acompanhamento próximo.
Agende sua avaliação na Clínica Mantelli, no Jardim Paulista.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único: procure avaliação individualizada.