Você conversa com seu filho pequeno sobre sexualidade?

 

 

Nossos filhos vivem em uma sociedade altamente sexualizada. São expostos a linguagem, imagens e comportamentos sexuais antes de estarem preparados para lidar com eles. Para melhor prepará-los, o ideal é sempre conversar com seu filho pequeno sobre sexualidade.

 

Claro que este é sempre um tema controverso. Não pela dificuldade do assunto, mas saber como abordar isso com crianças. E como mencionamos, invariavelmente eles terão contato com a sexualidade, seja em casa, seja na TV, seja no celular ou tablet, ou mesmo com os amigos na escola.

 

Por isso, saiba que abordar o tema com seus pequenos pode ser uma grande oportunidade de orientá-lo da melhor forma possível. E no artigo, explicamos como você pode fazer isso. Vamos lá?

 

Tudo deve começar cedo

O processo de falar com seu filho pequeno sobre sexualidade deve começar antes de serem verbais. Isso significa incorporar os nomes próprios dos órgãos genitais às atividades cotidianas, como a hora do banho. 

 

Pinto, pepeca, perereca, piu-piu… E não existe problema em dar apelidos, mas é importante que a criança saiba qual que é o nome correto. 

 

Ensinar as crianças os termos anatomicamente corretos para seus órgãos genitais pode parecer assustador, mas procure ser casual e trate esses termos como se tratasse da palavra “braço” ou “tornozelo”. 

 

Também é recomendado evitar conectar a biologia sexual ao gênero. Por exemplo, abandone a ideia de que todos os meninos têm pênis e todas as meninas têm vaginas. Em vez disso, diga “Pessoas com pênis” ou “Pessoas com vaginas”. 

 

Ao estabelecer essa linguagem agora, você prepara as bases para conversas mais fáceis sobre os papéis e identidades de gênero mais tarde.

 

Perto dos dois anos, você pode começar a conversar com seus filhos sobre quando e onde é apropriado explorar seus corpos. Se seu filho tem tendência a tocar os órgãos genitais — o que é perfeitamente normal — use isso como uma oportunidade para explicar como isso é algo que fazemos na privacidade de nosso quarto. 

 

Além disso, ao explicar sobre suas partes íntimas, já aproveite e fale como se proteger, quem pode e quem não pode tocar. 

 

Conhecer os limites e consentimento

Por volta dos cinco anos é importante trabalhar os limites e o que é ou não apropriado quando se trata de tocar — ou ser tocado — por outras pessoas. Isso é fundamental para consentir!

 

É também crucial que até mesmo as crianças aprendam a perguntar antes de tocar em outra pessoa. Lições sobre compartilhamento, jogos baseados em toque, como fazer cócegas, e impor seus próprios limites, ajuda a criar uma compreensão mais intuitiva do consentimento.

 

Estabelecer que as crianças têm uma palavra a dizer sobre seus próprios corpos também ajuda a mantê-las seguras. Embora você possa pular os detalhes explícitos, agora é quando você deve dizer a seu filho que outras pessoas nunca devem pedir ou tentar tocar seus órgãos genitais. 

 

É importante transmitir que seus filhos podem lhe contar sobre ações inadequadas a qualquer momento, mesmo que já tenham mantido isso em segredo.

 

Curiosidades sobre o corpo

Também por volta dos cinco anos, as crianças podem ter muita curiosidade sobre o corpo umas das outras. É importante reconhecer essa curiosidade e usá-la como ponto de partida para discutir as regras e valores de sua família. 

 

Por exemplo, fale com eles explicitamente sobre quando é apropriado ficar nu. Também discuta como não é apropriado manusear os órgãos genitais de outras pessoas, já que são partes muito especiais do corpo que não devem ser tocadas por outras pessoas.

 

Nessa idade, seu filho pode começar a perguntar como os bebês são feitos. A resposta mais fácil e abrangente é: “Existem muitas maneiras”. A quantidade de detalhes que se entra realmente depende de quanto você acha que seu filho pode compreender.

 

Se seu filho quiser mais informações, você pode tentar algo como: “Dois adultos juntam seus corpos e compartilham o esperma e o óvulo para fazer uma criança como você, ou às vezes eles obtêm o espermatozoide ou óvulo de outra pessoa. 

 

Não há problema em dizer a seu filho que alguns detalhes, como a forma como o espermatozoide e o óvulo se encontram, serão discutidos posteriormente. Mas é sempre importante não mentir. E também é melhor acompanhar essas questões do que apenas se recusar a falar sobre certas coisas.

 

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Use suas histórias para falar sobre sexualidade

Uma forma de ter uma conversa com seu filho pequeno sobre sexualidade é contando às crianças sua própria história de nascimento. Isso permite adaptar os detalhes à situação específica de sua família. 

 

É importante apresentar às crianças pequenas a ideia de que famílias e relacionamentos podem ser construídos de várias maneiras. Se seus filhos fazem parte ou convivem regularmente com famílias não tradicionais, eles perceberão isso naturalmente. 

 

Conforme eles vão crescendo, é importante também explicar como eles podem explorar os espaços digitais — por mais que eles não usem a internet sem sua supervisão. 

 

Também estabeleça regras sobre como falar com estranhos e compartilhar fotos online, bem como o que fazer se seu filho se deparar com algo que o incomode. 

 

Fale sempre com seus filhos

Começar uma conversa sobre sexualidade desde cedo e continuar essa conversa à medida que a criança cresce é a melhor estratégia de educação sexual. 

 

Isso permite que os pais evitem problemas de comunicação com seus filhos quando chegam à adolescência, e podem pensar que já têm a informação e não serão receptivos. 

 

Os adolescentes geralmente são pessoas muito reservadas. No entanto, se os pais falaram com seus filhos sobre sexo desde cedo, aumenta a chance de os adolescentes abordarem os pais quando coisas difíceis ou perigosas surgirem mais tarde ou quando tiverem dúvidas ou preocupações sobre a mudança de seus corpos e identidades.

 

Ao conversar com seu filho pequeno sobre sexualidade, é importante explicar as coisas de uma forma que eles possam entender, considerando sua idade e nível de desenvolvimento. Espero que tenha gostado do artigo, e para seguir recebendo dicas e informações da Clínica Mantellli, assine nossa newsletter. É só clicar no botão abaixo!

 

 

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